quarta-feira, 28 de março de 2007

Trabalho sobre O Fenômeno Urbano - A Metrópole e a Vida Mental – texto de Georg Simmel

Trabalho sobre O Fenômeno Urbano - A Metrópole e a Vida Mental – texto de Georg Simmel

1) Retrato psicológico do homem metropolitano típico e sua relação com as condições objetivas da metrópole

Para o autor, o homem que vive nas grandes cidades vive num estado de resistência, para manter sua subjetividade, autonomia e individualidade. O contraponto é do homem mais primitivo, que tinha uma luta pela sobrevivência apenas.
Outro aspecto levantado é que a metrópole criaria um modo de vida com tantos estímulos e com um ritmo de vida tão acelerado que o metropolitano, como defesa, tende a reagir menos emocionalmente e mais com a inteligência (que o autor chama de atitude de reserva) ou a quase não reagir (atitude blasé).
Esse cenário de frieza e distância, quando comparamos com o modo de vida no campo, vem junto com a presença massificante do dinheiro, como medida de todas as coisas. Tudo perde o encanto, a “cor”, o caráter único, para se tornar um preço. Até mesmo os relacionamentos pessoais são afetados por esta lógica monetária.
Um ponto de vista positivo, segundo Simmel, seria a liberdade maior que a vida em metrópole proporciona. Com a maior especialização do trabalho, cada indivíduo gastaria menos tempo tentando manter sua vida e, assim, teria mais liberdade para gastar seu tempo com questões de interesse pessoal.
A auto-estima também parece difícil na grande cidade. E algumas pessoas tentam mantê-la através do reconhecimento e atenção de outras. Para isso, criam um comportamento “extravagante”, tentando ser únicas no universo massificador da metrópole.

2) Princípio sociológico maior presente no texto

Podemos perceber vários princípios sociológicos no quadro de Simmel, mas ele expressa claramente um deles no texto: a idéia de metrópole como ilustração do princípio da união em grupos sociais (partidos políticos, governos etc.). Esses grupos precisam de regras para se manterem. E são essas mesmas regras que diminuem as liberdades individuais. Com o crescimento do grupo, a tendência observada em todos os casos é das regras ficarem menos rígidas, dando uma maior liberdade aos indivíduos que compõem o grupo.

3) O indivíduo e a sociedade

O indivíduo se opõe à sociedade na medida em que luta para manter sua individualidade, para distinguir-se, quando a sociedade e o modo de vida das grandes cidades, seus horários rígidos, seus números desumanos, tendem a massificar seus pensamentos e comportamentos.
Para Simmel, essa oposição ou conflito entre indivíduo e sociedade diminui se mudarmos de perspectiva e observarmos a liberdade e igualdade maiores que a metrópole proporciona quando comparada à vida no campo, ou numa cidade pequena, ou no século XVIII, com regras mais rígidas (políticas, religiosas etc.).

4) A relação entre cultura objetiva e cultura subjetiva

Cultura objetiva seria a cultura ligada a objetos (coisas, conhecimento, instituições). A cultura subjetiva estaria ligada ao indivíduo. Para o autor há uma discrepância grande no ritmo de crescimento das duas culturas. Enquanto a objetiva cresceu vertiginosamente, a subjetiva foi mais lenta e pode ter até regredido em certos pontos (ética, idealismo etc.).
A causa deste fenômeno, seria a divisão do trabalho e sua crescente especialização, que torna os indivíduos cada vez mais alheios ao todo, com sua visão focada apenas ao processo (cada vez menor) que lhe é atribuído, para ganhar seu dinheiro.
Por exemplo, um artesão, na antiguidade, sabia como funcionava cada parte da carroça que construía, em seu ritmo, com sua arte, sua subjetividade. Na época do texto de Simmel (século XIX), um operário de uma fábrica de carros é quase um robô – muito bem representado no filme “Tempos Modernos”, de Chaplin, apertando parafusos, sem espaço nenhum para subjetividade.
Essa discrepância lembra o que Nietszche chamou de crescimento demasiado do Apolíneo em detrimento do Dionisíaco.

(Fabio Rocha)

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