terça-feira, 18 de março de 2008

AUTOCONVERSA SOBRE CONSERVAÇÃO

Ser ateu é negar o Deus padrão. OK. E isso é o mesmo que permanecer preso a Deus, como um escravo liberto que vive a vida ainda da medida da prisão, retendo o cárcere consigo. Parte-se de Deus para negá-lo, como uma vingança inútil. Certo Nietzsche?

Para minha vida prática, me veio instantaneamente a questão do trabalho. Será que é por isso que minha ansiedade permanece, mesmo após eu parar de trabalhar? (Menor, mas presente.) Estar ou não trabalhando gera ansiedade da mesma forma, por estar eu, escravo, vivendo para negar as grades do labor? E, assim estando, me mantenho preso a esse modo de vida (e de vista)? O ócio ainda quase agoniento seria uma negação ao trabalho? Precisaria primeiro do trabalho, para depois ser negado, se mantendo assim, preso ao trabalho?

Devo eu tentar considerar a criação artística como trabalho e me acalmar? (Acho que isso eu já tento...)

Ou talvez precise mudar a perspectiva: mudar para um ócio primeiro (não no sentido temporal, mas ontológico). Um ócio que seja por si só. Ócio não para não fazer nada em contraposição vingativa ao fazer do trabalho. Mas um ócio além da visão utilitarista da vida... Um ócio que não seja necessariamente ócio e não meça nem se estou no ócio ou produzindo algo. Talvez.

Do mesmo modo, um anti-consumismo contra o bombardeio do marketing talvez não seja a resposta. Mas algo originário... E original. Sem o quê de vingança.

Uma outra questão levantada nas aulas de hoje, por onde divaguei: Será que existem filósofos contemporâneos (FILÓSOFOS - e não professores de história da filosofia) em algum canto escondido do mundo que produzem pensamentos próprios em vez de comentar os dos outros? E por quanto tempo repetiremos reclamações na esperança de que outros mudem o mundo, nos colocando de forma tão passiva perante a realidade?

(Fabio Rocha)