sábado, 30 de junho de 2007

O poder da mídia e a Matrix nossa de cada dia - uma outra visão sobre a invasão do "Complexo do Alemão"

Ouvindo os debates da UFRJ, sobre violência e mídia ( http://www.pol.org.br/midia/assistaaovivo.cfm ), pela internet (uma mídia maravilhosa, a meu ver). Único lugar onde falam sobre a "chacina do Pan", a glorificação do policial matador de favelados do "Complexo do Alemão", negros e pobres, enquanto só os brancos de classe média são as vítimas mostradas nos telejornais, pensei em um trabalho filosófico a ser desenvolvido - e espalhado - urgentemente...

Todos sabemos da decadência da educação nos últimos anos. Falemos do Brasil, por exemplo. Se aprendia até Latim no segundo grau, enquanto hoje em dia a luta é pela não obrigatoriedade da aprovação dos alunos (visando números bonitos, certamente), tenham aprendido eles o que quer que seja.

Pois bem, por outro lado, a TV se espalhou para 90% das casas brasileiras (mais que geladeiras! - 80%). E a Globo (velha raposa conservadora, que, no mínimo, esteve bem caladinha na ditadura militar) comanda pelo menos o lado que quero analisar, a "informação jornalística", mesmo fora da TV, sendo imitada como padrão pelas outras 4 famílias que controlam a TV aberta. Ao mesmo tempo, as universidades se tornaram guetos, com linguagens herméticas e teorias sem vida (nos sentido Nietzchiano), cada vez mais afastadas da maioria da população. Com esses dois fatores, o poder de manipular o real a seu bel prazer, ficou nas mãos de quem controla a TV. Os jornais (e também essas novelas horríveis de hoje, líderes de audiência) ditam os valores éticos a serem seguidos, escolhem como mostrar os fatos, e que fatos mostrar para 90% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA! Quem já percebeu que o que chamamos de realidade é apenas uma visão, uma perspectiva, um corte particular, pode imaginar o malefício dessa concentração de poder.

A imprensa segue quase sempre sem mostrar dados estatísticos reais, como o percentual de carros assaltados em relação aos que não são assaltados mensalmente na linha amarela, por exemplo. O medo vende jornal... Mas é pior: geralmente tendem a mostrar â violência dos negros e pobres contra a classe média, como que já previamente justificando uma repressão do Estado conta o chamado "criminoso" (favelado, negro e pobre - como a chacina mais recente no "Complexo do Alemão"). E a versão única dos fatos fica sendo - pasmem - a dos policiais. Informação imparcialíssima!

Confesso que parei de ver novelas e telejornais ou ler jornais ou revistas há um bom tempo. E como a vida ficou mais positiva, mais leve, com menos medo... Essas palestras da UFRJ sobre mídia e psicologia me serviram para mostrar alguns motivos mais claros para isso que eu apenas senti.

Espero que esse texto esteja claro, útil e nada hermético... E espero que a internet dure muito tempo, última mídia ainda livre para qualquer um poder escrever e ler algo assim.

(Fabio Rocha)

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